PRONTUÁRiO
SAGRAÇÃO
Grande
artista das histórias em quadradinhos - nascido em Portugal,
naturalizado brasileiro - Jayme
Cortez
(1926-1987) voltou a Lisboa em 1973, após permanência no Salão
Internacional de Lucca, e durante uma digressão pela Europa, com
estadias em Paris e Londres. Veio rever amigos, reviver as pulsões
da cidade natal, conhecer um novo entusiasmo pela banda desenhada,
tendo participado em exposição da sua obra mais recente na Livraria
Quadrante. Acompanhado por Márcio de Sousa - irmão do criador de
Mônica,
Maurício, e seu argumentista - e por de Adhemar Carvalhaes -
director do Departamento de Cinema do Museu de Arte de São Paulo - o
autor de O
Vale da Morte cumpriu
o desejo de atravessar a Ponte sobre o Tejo, até Almada, tendo-me
evocado as suas origens: «Tudo começou n’O
Mosquito,
e graças a Eduardo Teixeira Coelho. Levei-lhe lá uns originais,
muito rudimentares, mas ele considerou que eu tinha talento… Fiz
então uns trabalhos, que achou estupendos. Entretanto, passei a ser
publicado em 1943, com Uma
Estranha Aventura.
Contava histórias populares, que falassem da nossa gente. Acho que
este é o caminho certo…» IMAG.78-87-117-129
CALENDÁRiO
30JUN-05OUT2011
- Em Lisboa, Museu do Chiado estreia Arte
Portuguesa do Século XX (1910-1960) - Modernidade e Vanguarda,
sendo curadora Adelaide Ginga.
15JUL-02OUT2011
- - No Porto, Museu de Arte Contemporânea de Serralves expõe, em
produção com Kunstverein de Dusseldorf, Casa:
Modo de Usar de Leonor
Antunes, sendo comissária Nuria Enguita.
1919-17AGO2011
- Gualtiero Jacopetti: Cineasta italiano, precursor do
shock(do)cumentary,
realizador de Mundo Cão /
Mondo Cane (1962) - «um
filme que projectava em grande ecrã a representação da realidade».
1930-18AGO2011
- Jean Tabary: Ilustrador francês de banda desenhada, nascido na
Suécia, criador de Iznogoud
(1962, com René Goscinny) - «Je veux être calife à la place du
calife!». IMAG.119
1927-19AGO2011
- Jimmy Sangster: Escritor inglês, argumentista de clássicos da
Hammer, como O Horror de
Drácula / Horror of Dracula (1957),
A Vingança de Frankenstein /
The Curse of Frankenstein (1958)
ou A Múmia /The Mummy (1959)
- «Por meia dúzia de filmes, fizeram de mim uma figura de culto».
1923-22AGO2011
- Vicco Von Bülow, aliás Loriot: Humorista alemão - escritor,
ilustrador e actor - «De certa maneira, a comédia só resulta
quando o presumível herói acaba por falhar» (2003).
1928-22AGO2011
- Maria Lucília Moita: Poetisa e artista plástica portuguesa,
herdeira da estética de Silva Porto e de Henrique Pousão - «A
pintura, para mim, não é um passatempo, é uma exigência».
1933-22AGO2011
- Jerry Leiber: Letrista americano, autor - com o compositor Mike
Stoller - de sucessos como Jailhouse
Rock e King
Creole (por Elvis Presley);
integrados no Rock and Roll Hall of Fame (1987) por «levarem o rock
and roll a novos píncaros de
espirituosidade e sofisticação musical».
25AGO2011
- ZON Lusomundo estreia Conan
- O Bárbaro / Conan the Barbarian de
Marcus Nispel; com Jason Momoa e Rachel Nichols, sobre
o herói de Robert E. Howard (1906-1936), revelado em As
Crónicas de Nemédia.
IMAG.67-301
30AGO-22SET2011
- No Centro de Interpretação Ambiental da Pedra do Sal/CIAPS, em
São Pedro do Estoril, Agência Cascais Atlântico/Câmara Municipal
de Cascais apresenta A
Descrever Esta Língua Que É Mar,
exposição de fotografia de José Rodrigues, com textos de Isabel
Mendes Ferreira.
09SET-02OUT2011
- No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I expõe, com
Colomer & Sons, Celeste Maia,
Arte No Pulso.
MEMÓRiA
27MAI1912-18JUN1982
- John Cheever: Escritor norte-americano, distinguido com o Prémio
Pulitzer / Ficção em 1979 - «Estes contos parecem por vezes a
história de um mundo há muito desaparecido, quando a cidade de
Nova Iorque era ainda inundada pela luz do rio, quando se ouvia Benny
Goodman no rádio da papelaria da esquina e quando quase toda a
gente usava chapéu». IMAG.275
29MAI1922-1999
- António Campos: Cineasta português - «Basta-me pensar num filme,
e ter um mínimo de dinheiro para o fazer. Entrego-me de corpo e alma
quando os temas me sensibilizam, me apaixonam». IMAG.96-180-217

PARLATÓRiO
Histórias
Macabras
JAYME
CORTEZ EM PORTUGAL
Começaste
n’O Mosquito,
mas cedo foste para o Brasil…Porquê?
-
Em breve, o mercado
português pareceu-me demasiado pequeno, com poucas oportunidades…
E, como recebia, há anos, todas as edições brasileiras de banda
desenhada, onde só se publicavam coisas americanas, achei que no
Brasil não haveria desenhadores, pelo que sonhava com aquele país
como o El Dorado. Na verdade, o dito exclusivismo devia-se ao
predomínio dos trusts…
E, durante trinta anos, lutei por impor o trabalho dos criadores
nacionais - para lograr a nossa sobrevivência. Confesso-te que
considero, este, o aspecto mais interessante da minha actividade no
Brasil - mais, até, do que o meu trabalho pessoal…
Como
caracterizas o terror brasileiro nas histórias em quadradinhos?
-
No Brasil, tudo o que seja místico, religioso, feiticista, tem muita
aceitação. Quando o género decaiu na América (com a caça
às bruxas do senador
MacCarthy, nos anos ’50), por lá o terror tomou caminhos muito
próprios, indígenas, embora com uma carga bastante grande do
carácter importado. No entanto, empregávamos toda uma série de
elementos nossos, como zombies,
escravos, todas essas coisas bem brasileiras… Para mim, o terror
tem chances
plásticas - clima dramático, efeitos de iluminação - que os
outros temas não permitem desenvolver.
Além
disso, temos a tua enorme relevância como cultor do preto e branco…
-
Sim, para mim todas as formas de expressão têm a sua própria
caracterização, a sua arte. A utilização da cor deixa escapar, ou
logra encobrir a mediocridade…. A preto e branco, em banda
desenhada (que possui uma técnica muito difícil), não se podem
disfarçar as imperfeições, a mediania. Eu sou uma pessoa
explícita, muito sincera, que não procura o fácil, e, por isso, o
preto e branco é a minha maior paixão, pois com ele não se pode
enganar ninguém…
José
de Matos-Cruz
- Ploc! Revista de Banda
Desenhada -
Primavera de 1974 (excertos)
NOTICIÁRiO
A
média da exportação de azeite português para países
estrangeiros, no período de 35 anos, que decorreram de 1796 a 1831,
foi em números redondos de 40 mil decilitros, sendo de 400 mil nos
últimos quatro anos, de 1867 a 1870.
27MAI1872
- Diário de Notícias
OBSERVATÓRiO
www.maisevezes.com
- +(&)× - Mais Vezes
- Fanzine
literario / matemático /artístico / electrónico, criado por
Francisco José Craveiro de Carvalho e J N Bolito.
IMAG.16-117-130-177-190-209-226-255-276-299-330
Evocação
de Jayme Cortez
Museu
virtual mostra obra de autor português de banda desenhada d’O
Mosquito que se destacou no
Brasil
Intitula-se
apenas Jayme Cortez
e é um blog
que tem por objectivo «tornar acessível ao maior número de pessoas
a obra do Mestre Cortez», escrevem na sua introdução Jayme Cortez
Filho e Fabio Moraes, responsáveis pela iniciativa. Em entrevista
recente, este último revelou que «o blog faz parte de um projecto
maior, a publicação de um livro de arte sobre a vida e a obra de
Jayme Cortez».
Nascido em Lisboa, a 8 de Setembro de 1926, o autor estreou-se no Mosquito em 1943, tendo publicado uma mão cheia de bandas desenhadas, entre as quais Os 2 Amigos Na Cidade dos Monstros Marinhos e Os Espíritos Assassinos. Comum a todas elas era o protagonismo entregue a miúdos - inspirados nos seus amigos do Bairro Alto -, o realismo do traço baseado em modelos vivos e o grande dinamismo das histórias que escrevia e desenhava.
Nascido em Lisboa, a 8 de Setembro de 1926, o autor estreou-se no Mosquito em 1943, tendo publicado uma mão cheia de bandas desenhadas, entre as quais Os 2 Amigos Na Cidade dos Monstros Marinhos e Os Espíritos Assassinos. Comum a todas elas era o protagonismo entregue a miúdos - inspirados nos seus amigos do Bairro Alto -, o realismo do traço baseado em modelos vivos e o grande dinamismo das histórias que escrevia e desenhava.
Em
1947, partiu para o Brasil, onde, a par de bandas desenhadas como O
Retrato do Mal ou Zodíaco,
foi jornalista, ilustrador, cartoonista, professor e autor de livros
sobre ilustração e histórias aos quadradinhos, director de Arte
dos Estúdios Maurício de Sousa e fez parte da organização da
Primeira Exposição
Internacional de Histórias em Quadrinhos,
que teve lugar em São Paulo, em 1951, o primeiro evento do género
realizado em todo o mundo. Tendo adoptado a nacionalidade brasileira
em 1957, é considerado um dos grandes mestres dos quadradinhos do
Brasil, onde viria a falecer a 4 de Julho de 1987.
O
blog,
actualizado diariamente e disponível em
http://jaymecortez.blogspot.com/, destaca-se pela divulgação de
documentos inéditos ou pouco conhecidos, incluindo ficheiros de
áudio ou vídeo e fotos de várias épocas, nalgumas das quais ao
lado de autores como Stan Lee ou Maurício de Sousa.
A
par deles, uma vez que o blog
pretende ser um autêntico museu virtual, surgem as reproduções da
sua obra multifacetada - capas de livros, ilustrações, desenhos
publicitários, pranchas de bd - em muitos casos desde os primeiros
estudos até ao desenho definitivo e à posterior aplicação da cor.
São igualmente referidas curiosidades, como o facto de ter sido
Cortez a desenhar a capa do nº 1 da revista de Bidu,
um dos primeiros heróis de Maurício de Sousa.
F.
Cleto e Pina
-
27MAI2011
- Jornal de Notícias
COMENTÁRiO
Maia
- Arte No Pulso
A
artista portuguesa Celeste Maia, conhecida pela sua pintura
figurativa, correspondeu com entusiasmo ao complicado desafio de
Colomer & Sons, empresa espanhola, de pintar mostradores de
relógios. Esta forma de arte é raramente praticada devido às
dificuldades técnicas e à escala diminuta do trabalho. Ao
investigar diversos temas, Maia desenhou mais de 200 ideias, tendo
chegado a 20 conceitos, que nos transportam a outras dimensões. O
resultado é uma série deslumbrante de pinturas assinadas nos
relógios, cada uma com título e história, cada uma partilhando um
aspecto diferente da noção de Tempo. Estes relógios reflectem
pensamentos científicos, experiências históricas, assim como o
maior mistério de sempre, o próprio Tempo. A Arte do Tempo no
pulso.
BREVIÁRiO
Edições
70 edita Do Espírito das Leis
de Montesquieu (1689-1755);
tradução e introdução de Miguel Morgado. IMAG.25
Sony
edita em CD e DVD, sob chancela Columbia/Legacy, Bridge
Over Troubled Water por Paul
Simon & Art Garfunkel.
Sextante
edita A Cidade de Ulisses
de Teolinda Gersão.
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