José
de Matos-Cruz | 01 Abril 2012 | Edição Kafre | Ano IX – Semanal
– Fundado em 2004
Vícios,
violência, traições, corrupção, poder, esplendor, luxúria,
declínio pairam sobre Bórgia
- 4 - Tudo É Vaidade,
tomo culminante de um tremendo e fascinador testemunho histórico,
estilizado para adultos, concebido por dois excepcionais autores da
criatividade artística em banda desenhada - o argumentista chileno
Alexandro Jodorowsky e o ilustrador italiano Milo Manara. Centrada em
Roma, durante o Século XV, ao tempo do Papa Alexandre VI, a
narrativa incide sobre as ambições e proezas nefandas de César
Bórgia, incluindo um encontro com o génio marcial de Leonardo Da
Vinci, ou o bestial sacrifício do reformador excomungado Girolamo
Savonarola… Os excessos da realidade e os fantasmas da perversão,
entre monstros e demónios, luxo e luxúria, pecado e perdição,
subjugam um imaginário sumptuoso, crepuscular, que se adensa pela
intriga sórdida, decadente, e afinal expiatória - revertendo com o
retorno aos seus palácios dos príncipes proscritos, e outros ciclos
de prepotência e delapidação numa Europa a ferro e fogo.
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Uma
das virtualidades mais fascinantes, no tradicional imaginário
fantástico, diz respeito ao robô - criatura metálica, concebida à
imagem do homem, primordialmente para o servir, com fins pacíficos
ou agressores. Essa expectativa, herdada do Século XIX,
transformar-se-ia em ameaça, durante a Idade de Ouro, numa alusão
ao lendário Frankenstein
de Mary Shelley. Virando-se contra o inventor, motivado por desígnios
totalitaristas, intruso alienígena ou adquirindo instintos sexuais,
o robô assumiu pois uma consciência, sendo fisicamente
invulnerável. Há mais de sete décadas, e por vinte anos, Isaac
Asimov celebrou a Era Clássica, com as Leis do Comportamento
Robótico - a programar no cérebro de cada um, e assegurando a sua
submissão ao homem.
Primeira
Lei - Um robô não pode causar dano a um ser humano nem, por
omissão, permitir que um ser humano sofra.
Olham
para o meu rosto e sorriem, mostrando os seus dentes escurecidos.
Deus do céu! Os dentes das crianças inglesas são horríveis! Pode
e deve ser feito algo em relação a isso. Mas os seus olhos…
Matéria-Prima
edita A Minha Viagem Pela
Europa de Charles Chaplin
(1889-1977); tradução de Alexandra Cardoso.
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PRONTUÁRiO
EXPIAÇÕES

MEMÓRiA
1791-02ABR1872
- Samuel Morse: Pintor de cenas e vultos históricos e inventor do
telégrafo (1832) com recurso ao registo eletromagnético dos sinais
que formam o Código Morse - «Eis o que Deus realizou!» (1844).
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1847-03ABR1882
- Jesse James: Bandoleiro americano - «Apesar de tudo, continuo a
ter esperança... Durante a Guerra, fui ferido sete vezes, e uma
outra no mesmo pulmão... Não acredito que vá morrer».
1920-06ABR1992
- Isaak Judah Ozimov, aliás Isaac Asimov: Professor universitário
de Bioquímica e escritor de novelas de ficção científica, autor
das Três Leis Fundamentais da Robótica - «Haverá uma tendência
para centralizar informações, de modo que uma requisição de
determinados itens pode usufruir dos recursos de todas as bibliotecas
de uma região, ou de uma nação e, quem sabe, do mundo. Finalmente,
haverá o equivalente de uma Biblioteca Informatizada Global, na qual
todo o conhecimento da humanidade será armazenado e de onde qualquer
item desse total poderá ser retirado por requisição» (Choice
of Catastrophes - excerto).
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CALENDÁRiO
07JUL-17SET2011
- Em Lisboa, Sala do Risco no Pátio da Galé (Terreiro do Paço)
expõe Ecos do Fado Na Arte
Portuguesa XIX-XXI, sendo
comissária Sara Pereira.
21JUL2011-30JUN2012
- Na Amadora, Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem/CNBDI expõe
História Com Humor - A
História de Portugal Na Obra de Artur Correia e António Gomes
d’Almeida; esta mostra
introduz o tema central do 22º Amadora BD 2011, dedicado ao Humor.
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22JUL-18SET2010
- No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I expõe Há
Males Que Vêm Por Bem de
Isabelle Faria.
30JUL-25SET2010
- No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I expõe Nós
e Todos os Outros de Luís
Herberto.
ANTIQUÁRiO
ABR1872
- Apontamentos Sobre a
Picaresca Viagem do Imperador de Rasilb Pela Europa de
Raphael Bordallo Pinheiro, «chistoso álbum de caricaturas», esgota
a primeira edição e é preparada a segunda, «mais correcta e
argumentada». Diário
de Notícias -
16ABR1872IMAG.22-32-43-59-77-98-115-197-208-242-246-256
ABR1872
- Manhã cedo, ao sair de um gabinete no Vaticano, o Papa Pio IX deu
com um homem no meio do recinto, de joelhos, com os braços abertos.
Era um maníaco religioso que há muito solicitava audiências
particulares. Sua Santidade tocou a campainha e mandou pôr fora o
intruso, mas causou-lhe o caso tanto susto que esteve dois dias de
cama. Diário
de Notícias - 24ABR1872
03-05ABR1902
- Em Roma, Fred Gaisberg e Will Gaisberg gravam, em cera, dezoito
árias do bel canto, temas do Coro da Capela Sistina, por Alessandro
Moreschi (1858-1922), o último dos grandes castrati
- cantores cuja extensão
vocal corresponde, em pleno, à das vozes femininas, por uma operação
de corte dos canais provenientes dos testículos, antes da puberdade
(Séculos XVI-XIX) - e o único a deixar a sua voz registada para a
posteridade.
INVENTÁRiO
O
HOMEM BICENTENÁRIO - UM CORAÇÃO MECÂNICO

Aceites
pela generalidade dos autores, mesmo quando exploram uma eventual
transgressão, tais normas culminariam as potencialidades romanescas
da moderna ficção científica, expandindo-se finalmente ao grande
ecrã, com O Homem
Bicentenário (1999) de Chris
Columbus. Em causa está, precisamente, uma novela de Asimov &
Robert Silverberg, The
Positronic Man, adaptada por
Nicholas Kazan. A acção decorre na primeira década deste novo
milénio, referenciada pelos dois primeiros preceitos do código
de Asimov: 1 - «Um robô não pode causar dano a um ser humano nem,
por omissão, permitir que um ser humano sofra»; 2 - «Um robô deve
obedecer às ordens dadas por seres humanos, excepto quando essas
ordens entrarem em conflito com a Primeira Lei». Eis o dilema em que
Andrew se debaterá.
Este
nome foi-lhe dado por uma menina, Amanda, confundindo-o com um
andróide. O pai adquiriu-o como última sensação
familiar, da série NDR-114. De facto, Andrew sabe cozinhar, limpar,
lavar, cuidar da casa e tomar conta das crianças. Mas, no seu caso
pessoal,
Andrew tem, também, emoções e sentimentos... Recriando a mitologia
robótica - como ameaça ou reflexo aparente da sua imagem, ou
susceptível de transferenciais comportamentos mecânicos - o homem
sublimaria, afinal, os seus primordiais receios e pavores: no auge
das civilizações, além do bem ou do mal, ou nos paradoxos da
tecnologia. A simbologia subtil de O
Homem Bicentenário
pressupõe, afinal, uma transferência harmónica de valores e
comportamentos, em que se reinveste a própria condição essencial
da nossa consciência colectiva.
VISTORiA
Certamente,
cada vez mais pessoas seguiriam esse caminho fácil e natural de
satisfazer suas curiosidades e necessidades de saber. E cada pessoa,
à medida que fosse educada segundo seus próprios interesses,
poderia então começar a fazer as suas contribuições. Aquele que
tivesse um novo pensamento ou observação de qualquer tipo sobre
qualquer campo, poderia apresentá-lo, e se ele ainda não constasse
na Biblioteca Informatizada Global, seria mantido à espera de
confirmação e, possivelmente, acabaria por ser incorporado. Cada
pessoa tornar-se-ia, simultaneamente, um professor e um aprendiz.
Isaac
Asimov
-
Choice
of Catastrophes
(1979)
ELUCIDÁRiO
Leis
do Comportamento Robótico

Segunda
Lei - Um robô deve obedecer às ordens dadas por seres humanos,
excepto quando essas ordens entrarem em conflito com a Primeira Lei.
Terceira
Lei - Um robô deve proteger sua própria existência, desde que essa
protecção não colida com a Primeira nem com a Segunda Lei da
Robótica.
Isaac
Asimov
-
I, Robot
(1950)
ANUÁRiO
1872
- Neste ano, o distrito de Bragança produz 72.069 quilogramas de
casulo de seda, 977,995 de seda em fio, 556.456 de lã branca,
489.612 de lã preta, 24.807,405 de mel e 14.662,451 de cera.
COMENTÁRiO

Charles
Chaplin
-
A Minha Viagem Pela Europa (1921 - excerto)
BREVIÁRiO

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Centaur
Records edita em CD, Robert
[1810-1856] &
Clara Schumann [1819-1896]
- Sonatas Para Violino, Romances por
Bruno Monteiro (violino) e João Paulo Santos (piano).
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Universal
edita em CD, sob chancela Deutsche Grammophon, Echoes
of Time pela violinista Lisa
Batiashvili, com a pianista Hélène Grimaud, e Orquestra Sinfónica
da Rádio da Baviera, sob a direcção de Esa-Pekka Salonen.
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