José
de Matos-Cruz | 08 Maio 2013 | Edição Kafre | Ano X – Semanal –
Fundado em 2004
Atenção,
admiradores de Astérix, o Gaulês: conhecidos os títulos
primordiais que sagraram esta saga clássica de humor, a editora Asa
suscita um dilema invulgar: À
Procura de… Ideiafix
- com texto & desenhos a partir de Albert
Uderzo
- especialmente dedicado ao público mais jovem. Em nostálgica
evocação do co-progenitor René Goscinny, estamos - como sempre -
numa aldeia da Gália, ainda não dominada pelos romanos, quando vai
ocorrendo o que os nativos tanto temiam, mas que até os fanáticos
nunca esperavam: Ideiafix, Obélix, Astérix e os seus amigos ou
outros compinchas estão invisíveis, ocultos, ou desaparecidos! E o
desafio que se nos coloca, redobrando a atenção e a coragem, é
participarmos directamente na acção, repetida por distintas
peripécias, em notáveis ilustrações de dupla página: da lendária
aldeia de Armórica ao extravagante Campo de Babácomrum, passando
por estrepitosas batalhas navais - que terminam com normandos
molhados, na melhor tradição de marear! Múltiplas proezas e
situações, notórias ou dissimuladas, percorrem estas aventuras
diferentes, mas sempre imprescindíveis. E, agora, para os que
assinalarem todos os mistérios de Ideiafix, está reservado um osso
de ouro e o título de campeão... Boa sorte, por Toutatis!
O
nosso vizinho Bukáchkin
Usa ceroulas cor de mata-borrão.
Mas brilhantes Antimundos
Flutuam sobre ele como um balão!
E nele vive, por magia,
Domando o mundo como um demónio,
Anti-Bukáchki, o académico,
Tendo nos braços Lollobrígidas.
Mas os sonhos de Anti-Bukáchki
Parecem cor de mata-borrão.
Vivam, pois, os Antimundos!
Fantasias no meio do lixo.
Sem estupidez não havia esperteza,
Nem havia oásis sem desertos.
Não há mulheres – só anti-homens.
Nas florestas rugem antimáquinas.
Há o sal da terra e também o lixo.
Que seria do falcão sem a serpente?
E como amo os críticos meus!
Na calva de um deles,
Perfumada e lisa,
Brilha uma anticabeça!...
Eu durmo com as janelas bem abertas,
E em qualquer parte acena-me uma estrela cadente,
E um arranha-céus como uma estalactite
Do outro lado do globo está pendente.
E sob mim de pernas para o ar,
Espetado como um garfo neste globo,
Despreocupado como um insecto,
Vives tu, meu antimundo!
Mas para quê no meio da noite
Se encontram os antimundos?
Para que é que se sentam juntos
A ver televisão?
Não trocam palavra e esse encontro
É o primeiro e não há outro, não.
Estão sentados, esquecendo o bon ton,
Como se hão-de sentir depois envergonhados!
Hão-de ficar de orelhas encarnadas
Como duas grandes borboletas pousadas…
Um conferencista meu amigo ontem
Disse-me: ‘Antimundos, para quê?’
E eu fico com o sono agitado
Pela verdade científica das coisas…
O meu gato, como um aparelho de rádio,
Com os seus olhos verdes sintoniza o mundo.
10MAI1913-1961
- João Villaret:
Declamador, encenador e actor português, de teatro, cinema e
televisão - «Enchia salas de teatro para ouvi-lo dizer poesia…
Foi capaz de brilhar tanto numa peça clássica como A
Castro, como fazer depois de
Santo António na revista» (António Carlos Carvalho).
IMAG.189-230-307
Relógio
D’Água edita Coração Nas
Trevas e No
Extremo Limite de Joseph
Conrad (1857-1924). IMAG.157-224-243-303
PRONTUÁRiO
ESPREITADELAS

IMAG.2-4-21-29-37-58-69-76-94-101-136-179-206-245-248-275-290-342-356-390-406
VISTORIA
Antimundos

Usa ceroulas cor de mata-borrão.
Mas brilhantes Antimundos
Flutuam sobre ele como um balão!
E nele vive, por magia,
Domando o mundo como um demónio,
Anti-Bukáchki, o académico,
Tendo nos braços Lollobrígidas.
Mas os sonhos de Anti-Bukáchki
Parecem cor de mata-borrão.
Vivam, pois, os Antimundos!
Fantasias no meio do lixo.
Sem estupidez não havia esperteza,
Nem havia oásis sem desertos.
Não há mulheres – só anti-homens.
Nas florestas rugem antimáquinas.
Há o sal da terra e também o lixo.
Que seria do falcão sem a serpente?
E como amo os críticos meus!
Na calva de um deles,
Perfumada e lisa,
Brilha uma anticabeça!...
Eu durmo com as janelas bem abertas,
E em qualquer parte acena-me uma estrela cadente,
E um arranha-céus como uma estalactite
Do outro lado do globo está pendente.
E sob mim de pernas para o ar,
Espetado como um garfo neste globo,
Despreocupado como um insecto,
Vives tu, meu antimundo!
Mas para quê no meio da noite
Se encontram os antimundos?
Para que é que se sentam juntos
A ver televisão?
Não trocam palavra e esse encontro
É o primeiro e não há outro, não.
Estão sentados, esquecendo o bon ton,
Como se hão-de sentir depois envergonhados!
Hão-de ficar de orelhas encarnadas
Como duas grandes borboletas pousadas…
Um conferencista meu amigo ontem
Disse-me: ‘Antimundos, para quê?’
E eu fico com o sono agitado
Pela verdade científica das coisas…
O meu gato, como um aparelho de rádio,
Com os seus olhos verdes sintoniza o mundo.
Andrey
Voznesensky
(Tradução
de Manuel de Seabra)
NOTICIÁRiO
Está-se
recolhendo na Bibliotheca Nacional uma porção de monumentos
lapidares e epigráficos, provenientes do Alentejo. Contêm
inscrições romanas, algumas relativas ao deus Endovélico. Alguns
destes monumentos são de grandes dimensões.
08MAI1890
- Diário de Notícias
1723-1789
- Paul Heinrich Thiry, Barão de Holbach: Escritor e filósofo
franco-alemão, autor de O
Sistema da Natureza ou As Leis do Mundo Físico e do Mundo Moral
(1770), sob o pseudónimo de
Jean-Baptiste Mirabaud, na Enciclopédia
Francesa, organizada por
Denis Diderot - «Não existem dois indivíduos sobre a Terra que
tenham ou possam ter as mesmas ideias do seu Deus».
MEMÓRiA
1806-08MAI1873
- John Stuart Mill: Escritor e pensador, filósofo e economista
inglês - «As acções são correctas na medida em que tendem a
promover a felicidade; erradas, na medida em que tendem a promover o
reverso da felicidade… O maior perigo de nossos tempos é que tão
poucos ousam ser excêntricos».

11MAI1963-2009
- Natasha Richardson: Actriz inglesa de teatro e cinema, filha de
Vanessa Redgrave e Tony Richardson, casada com Liam Neeson - «Para
termos um trabalho que nos apaixone, há que enfrentar dificuldades a
todos os níveis». IMAG.243
12MAI1933-2010
- Andrey Voznesensky: Poeta russo, contestatário - «A sua entrada
no mundo da literatura foi rápida e turbulenta. Sinto-me feliz por
ter vivido esse momento e assistir a esse fenómeno» (Boris
Pasternak). IMAG.255-307
BREVIÁRiO
Relógio
D’Água edita Bel-Ami de
Guy de Maupassant (1850-1893); tradução de Miguel Serras Pereira.
IMAG.33-411
Andante
edita em DVD, sob Chancela Hyperion, Robert Schumann
[1810-1856]:
Davidsbündlertänze, Kinderszenen, Sonata Op. 22
por Angela Hewitt.
IMAG.105-194-203-233-268-278-301-341-344-365-375
Abysmo
edita O Branco das Sombras
Chinesas de João Paulo
Cotrim e António Cabrita, com ilustrações de João Fazenda.
IMAG.17-59-119-121-125-157-171-198-224-307-407
Teorema
edita Glória de
Vladimir Nabokov (1899-1977).
IMAG.63-223-253-272-325-338

EMI
edita em CE e DVD, 1981-1989
por Heróis do Mar. IMAG.127
CALENDÁRiO
1941-13JUL2012
- António Damião: Cineasta português (Talvez
Amanhã - 1969), escritor sob
o pseudónimo de Henrique Nicolau - distinguido com os prémios
Editorial Caminho de Literatura Policial (1985, com O
Trabalho É Sagrado) e
Repórter X da Associação Policiária Portuguesa (1992, com Todos
e Nenhum).
1919-20JUL2012
- José Hermano Saraiva: Historiador, comunicador e político
português - «Talvez gostasse de ter vivido no período do
Romantismo… Sou um homem romântico. / Penso que a morte não será
muito desagradável, a não ser que se sintam dores. As pessoas
deixam de sentir e, serenamente, entram no vago. De um modo geral,
não tenho medo da morte». IMAG.57
20JUL-21OUT2012
- Em Lisboa, Museu Gulbenkian apresenta Tarefas
Infinitas. Quando o Livro e a Arte Se Ilimitam
- exposição de livros, pinturas, filmes, esculturas e instalações,
sendo comissário Paulo Pires do Vale.
25JUL-02DEZ2012
- No Fórum Eugénio de Almeida, em Évora, Fundação Eugénio de
Almeida expõe Corto Maltese:
Viagem à Aventura; inclui
obras originais de Hugo Pratt (1927-1995), desde aguarelas, a
tinta-da-china e guache, sendo comissário Stefano Cecchetto.
IMAG.1-26-47-65-69-75-157-256-286-308-360-383
EXTRAORDINÁRiO
OS
SOBRENATURAIS - Folhetim Aperiódico
COMO
GUARDAR O CORAÇÃO NA CAIXINHA DAS ESMOLAS -
2
- Tal
e qual, está feito!
garantiu o afoito Cândido, ensaiando com a mão direita um golpe
seco sobre a palma da esquerda.
Basta acertar-lhe em cheio, bem no meio da nuca!
Mas,
logo a seguir, as órbitas negras do marido arregalaram-se, como
cavernas assombradas num súbito transe. Finalmente, ousou pensar
alto:
- E
depois, como é que nos desfazemos do corpo?
– Continua
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