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terça-feira, abril 24, 2018

IMAGINÁRiO #499

José de Matos-Cruz | 18 Janeiro 2015 | Edição Kafre | Ano XII – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

EFABULAÇÕES
Sobretudo motivadas para a publicação, em álbuns coloridos, das obras-primas e da produção em série de origem franco-belga, as principais editoras europeias foram alterando, estrategicamente, uma opção de actualidade - pela oferta de títulos prestigiados ou alusivos sobre clássicos da literatura, em especial para jovens, através da recriação quadrinizada por artistas americanos. Trata-se de uma alternativa aos comics tradicionais que, podendo atrair os leitores fanáticos, suscita outros horizontes de fascinação aos destinatários primordiais. Assim, destacam-se os Contos de Fadas de Oscar Wilde / Fairy Tales of Oscar Wilde (1992-2004), ilustrados por P. Craig Russell: um imaginário sob o signo fantástico - em que o lendário da magia, o elã prodigioso, o onírico e a antiguidade correspondem, no entanto, a uma bizarra expressão dos valores e da moralidade, inerentes ao culto, e simbolizada numa contemporânea equivalência sobre os sentimentos humanos, ou numa dramática implicação sob as contingências do real… Incidências efabuladas pela alegoria desmesurada e, afinal, expostas ao precário epílogo da felicidade, ante a crueldade e os privilégios, a solidão ou os pavores infantis.

CALENDÁRiO

1961-28JAN2014 - Philippe Delaby: Artista belga de banda desenhada - «A sua paixão, a sua energia, o seu sentido do detalhe, da découpage, e a força das suas personagens, fizeram da série Murena, com argumentos do seu amigo Jean Dufaux, um sucesso internacional, plebiscitado por milhares de leitores e reconhecido pelos maiores especialistas da antiguidade romana» (Dargaud). IMAG.88-436

1923-29JAN2014 - François Cavanna: Autor francês, ficcionista e desenhador satírico, fundador das revistas Hara-Kiri e Charlie Hebdo - «O grande sacerdote do humor francês» (Charb).

31JAN-06ABR2014 - Em Lisboa, Museu da Cidade apresenta Sopros de Vida, exposição de pintura e escultura de Gil Teixeira Lopes. IMAG.236

31JAN-15ABR2014 - Em Lisboa, BES Arte & Finança apresenta Amar as Diferenças de Michelangelo Pistoletto e Marco Martins; curadoria pelo Centro de Criação de Teatro e Artes de Rua. IMAG.58-125-173-292-300

1933-02FEV2014 - Eduardo de Oliveira Coutinho, aliás Eduardo Coutinho: Cineasta brasileiro, realizador de Cabra Marcado Para Morrer (1984) - «Um dos maiores documentaristas do Brasil» (Diário de Notícias).

1967-02FEV2014 - Philip Seymour Hoffman: Actor americano, distinguido com o Oscar por Capote (2005) - «Era, verdadeiramente, um homem gentil, maravilhoso, e um dos nossos mais talentosos actores de todos os tempos» (Mia Farrow). IMAG.84

06FEV-19ABR2014 - Em Lisboa, Fundação Arpad Szènes-Vieira da Silva expõe Escrita Íntima - Cartas e Desenhos; sobre Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992) e Arpad Szènes (1897-1985).
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07FEV-20ABR2014 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta, com Associação Ser +, VIII Private Lives - com Criação Absurda, exposição de fotografia de Rodrigo Bettencourt da Câmara.

VISTORiA

Frustração

Foi bonito
O meu sonho de amor.
Floriram em redor
Todos os campos em pousio.
Um sol de Abril brilhou em pleno estio,
Lavado e promissor.
Só que não houve frutos
Dessa primavera.
A vida disse que era
Tarde demais.
E que as paixões tardias
São ironias
Dos deuses desleais.
Miguel Torga
- Diário XV

PARLATÓRiO

Quando digo que não me vejo como um intelectual, que não me considero culto, é por uma razão simples: quando vejo alguém culto, fico assustado, não tanto surpreendido. Admiro certas coisas, outras não, mas fico assustado. Alguém culto faz-se notar. É um saber, sobretudo, assustador. Vemos isso em muitos intelectuais, eles sabem tudo - bem, sabem tudo, estão a par de tudo, sabem a história da Itália, da Renascença, sabem geografia do Pólo Norte, sabem… Podemos fazer uma lista, são capazes de falar sobre tudo. É abominável. Quando digo que não sou culto, nem intelectual, quero dizer algo simples: não tenho um saber de reserva. Pelo menos, é algo que não me preocupa. Com minha morte, não será preciso procurar o que tenho para publicar: nada, pois não tenho nada de reserva. Não tenho provisão alguma, nenhum saber de resguardo, e tudo o que aprendo, aprendo para certa tarefa, e, concluída essa tarefa, esqueço. De modo que, se, dez anos depois, sou forçado a regressar ao mesmo tema, ou algo próximo, tenho de recomeçar do zero. Excepto em alguns casos raros, pois Spinoza está no meu coração, e não na minha cabeça, eu não o esqueço… Por que não admiro essa cultura assustadora? Pessoas que falam…
Gilles Deleuze

BREVIÁRiO

Dom Quixote edita Uma Verdade Incómoda de John Le Carré; tradução de J. Teixeira de Aguilar. IMAG.167-232-342-390

Universal edita em CD, sob chancela Deutsche Grammophon, [Alberto] Ginastera [1916-1983]; [Antonin] Dvorák [1841-1904]; [Dmitri] Shostakovich [1906-1975] por Simón Bolívar String Quartet.  
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Esfera dos Livros edita Escravos e Traficantes No Império Português - O Comércio Negreiro Português No Atlântico Durante os Séculos XV a XIX de Arlindo Manuel Caldeira.

Waxtime edita em CD, Duke Ellington [1899-1974] & [John] Coltrane [1926-1967]. IMAG.190-231-240-324-468

MEMÓRiA

1907-17JAN1995 - Adolfo Rocha, aliás Miguel Torga: Médico e escritor português - «Matei a lua e o luar difuso. / Quero os versos de ferro e de cimento. / E em vez de rimas, uso / As consonâncias que há no sofrimento.» (Identidade).
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18JAN1925-04NOV1995 - Gilles Deleuze: Filósofo francês - «São os organismos que morrem, não a vida». IMAG.23-368

20JAN1935-2010 - Dorothy Provine: Actriz norte-americana do teatro, do cinema e da televisão, no elenco de O Mundo Maluco (1963 - Stanley Kramer) ou A Grande Corrida à Volta do Mundo (1965 - Blake Edwards). IMAG.300

21JAN1905-1957 - Christian Dior: Estilista francês - «Quero construir vestidos, moldá-los sobre as curvas do corpo. A própria mulher definirá o contorno e o estilo». IMAG.26

22JAN1875-1948 - David Wark Griffith: Cineasta americano - «Não devemos recear a censura, se não pretendemos ofender com impropérios ou com obscenidades… Mas devemos exigir, como um direito, a liberdade de mostrar o lado negro do mal, para podermos iluminar o lado claro da virtude. A mesma liberdade que é concedida à arte de nos expressarmos por palavras, a mesma arte que nos vem da Bíblia ou das obras de Shakespeare». IMAG.22-191-238-332-397

1846-23JAN1905 - Raphael Bordallo Pinheiro: Artista português, pintor, caricaturista, escultor, ceramista, criador do Zé Povinho - «…Não estamos filiados em nenhum partido; se o estivéssemos, não seríamos decerto conservadores nem liberais. A nossa bandeira é a verdade. Não recebemos inspirações de quem quer que seja e se alguém se serve do nosso nome para oferecer serviços, que só prestamos à nossa consciência e ao nosso dever, - esse alguém é um infame impostor que mente» (O Besouro - 1878).
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ELUCIDÁRiO

Correspondendo à fidelidade e ao culto sofisticado dos leitores adultos, Murena é um clássico em banda desenhada, de fulgor épico, com argumento por Jean Dufaux, sendo ilustrador Philippe Delaby - galardoado com o prémio Clio, por Richard Coeur de Lion (1994). Tudo principia em Roma, pelo ano de 54 DC, estendendo-se a saga pelo tempo e pelo mundo. Um decénio volvido, Murena deixa a Gália e regressa à capital do império - para enfrentar Nero, em conflito inexorável de paixão e fatalidade, de poder e vingança. Com os corações em chamas, a própria cidade corre o risco de incendiar-se… Em quadradinhos, eis uma intriga perturbadora, inexorável, perspectivando a história como conspiração suprema.

EXTRAORDINÁRiO

OS ALTERNATIVOS - Folhetim Aperiódico

ATRAPALHADO NA CARCAÇA O ESCARAVELHO FAZ-SE MORTO - 1

14 de Fevereiro de 1955
Apesar do seu estilo boçal, como abortos da natureza virtualmente atirados para a pedincha, assediando as principais igrejas de Lisboa, tanto Graciosa como o filho Damião tinham qualquer coisa que implicava simpatia e, portanto, estimulava a dar esmola. Estrategicamente, logo após a missa, ela esperava junto à saída dos homens, ele inspirava a generosidade das beatas.
Não havia pai para tal negócio da malquista família Benquerença. Se o tivera Damião, esbatera-se num anonimato social após o frenesim da cópula. Perdida a matriz civil, o bastardo padrão dos Benquerença converteu-se, pois, numa mais-valia marginal.
Continua

quarta-feira, abril 18, 2018

IMAGINÁRiO #495

José de Matos-Cruz | 16 Dezembro 2014 | Edição Kafre | Ano XI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

FÁBULAS
«Naufragar, só por si, já é terrível, mas naufragar em algo que não existe, é ainda mais terrível…» - assim introduz Fred o desafio heróico de Philemon (1965), ao precipitar-se num «mundo maravilhoso». Definição esta atribuída por René Goscinny (1926-1977), responsável pela revista Pilote quando O Náufrago do ‘A’ lhe foi proposto, reclamando Fred o argumento e a ilustração. Em boa hora, pois garantiam-se as plenas características de uma obra-prima incomparável - graças à imaginação prodigiosa de Fred, aliás Othon Aristides (1931-2013), um dos mais talentosos/virtuais artistas dos quadradinhos franceses para adultos. Onírico, absurdo, surreal, satírico, Fred - galardoado em 1994 com o Troféu Melhor Álbum no Festival de Angoulême, com A História do Corvo de Ténis - concebe/ilustra O Náufrago do ‘A’, espraiando-se entre umas misteriosas ilhas do Atlântico… Narração fascinante, expressão estilizada - uma fábula clássica, e cuja actualidade testemunha, com sugestão cultural/nostálgica, as contradições e os paroxismos da nossa sociedade, através da volúvel identidade humana. IMAG.459

VISTORiA
A Cota

Com quem te não banhaste, não convidas nunca,
E só nos balneários teus convivas buscas,
A mim me perguntava como nunca o fora:
E agora sei que, nu, não pude encher-te os olhos.
Marco Valério Marcial
(Tradução de Jorge de Sena)

Que Vergonha, Rapazes!

Que vergonha, rapazes! Nós práqui,
caídos na cerveja ou no uísque,
a enrolar a conversa no «diz que»
e a desnalgar a fêmea («Vist’? Viii!»)

Que miséria, meus filhos! Tão sem jeito
é esta videirunha à portuguesa,
que às vezes me ergo no meu leito
e vejo entrar quarta invasão francesa.

Desejo recalcado, com certeza…
Mas logo desço à rua, encontro o Roque
(«O Roque abre-lhe a porta, nunca toque!»)

e desabafo: – Ó Roque, com franqueza:
Você nunca quis ver outros países?
Bem queria, Snr. O’Neill! E… as varizes?
Alexandre O’Neill

CALENDÁRiO

01NOV2013-16FEV2014 - Em Lisboa, Atelier-Museu Júlio Pomar expõe Caveiras, Casas, Pedras e Uma Figueira de Júlio Pomar, Álvaro Siza Vieira, Fernando Lanhas e Luís Noronha da Costa, sendo curador Delfim Sardo.
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1917-16DEZ2013 - Joan de Beauvoir de Havilland, aliás Joan Fontaine: Actriz americana, distinguida com o Oscar por Suspeita / Suspicion (1941), irmã de Olívia de Havilland - «Casei primeiro, e ganhei o Oscar antes de Olívia… Se eu morrer antes, ela ficará aborrecida, por voltar a precedê-la» (1978). IMAG.351

1932-23DEZ2013 - José Ortiz Moya, aliás José Ortiz: Artista espanhol de banda desenhada - «Mágico Vento começou com ele. O seu traço forte parecia-me perfeito para o número 1. Desenhava com uma velocidade vertiginosa. Terminava um álbum em três meses. Sem ele, não teríamos podido ser pontuais nos quiosques. Devo-lhe muito. Era um grande» (Gianfranco Manfredi) ( Tex Willer Blog). IMAG.65-145-286

09JAN-05FEV2014 - Em Lisboa, Espaço Nimas apresenta Ciclo Ingmar Bergman (1918-2007). IMAG.28-112-113-125-158-186-215-331-362-399-412-422-470

ANTIQUÁRiO

NOV-DEZ 1864 - Nestes meses, exportam-se do Arquipélago dos Açores, em 116 navios, 84.209 caixas de laranjas.

DEZ1864 - Durante este mês, o Asylo da Mendicidade de Lisboa teve de receita de subscrições 22$650 réis de esmolas.

DEZ1864 - Nestes mês, entram as barreiras do Porto 11.474 carros, conduzindo diferentes géneros e carretos sucessivos; carregados de estrume, saíram as barreiras da mesma cidade, 1.316 carros.

ANUÁRiO

40-104 - Marco Valério Marcial: Poeta hispano-latino - «Serás sempre pobre, se és pobre; a fortuna é, apenas, concedida aos ricos». 
 
MEMÓRiA

19DEZ1924-1986 - Alexandre O’Neill: Escritor português, co-fundador do Movimento Surrealista de Lisboa - «A meu favor / Tenho o verde secreto dos teus olhos / Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor / O tapete que vai partir para o infinito / Esta noite ou uma noite qualquer.» (excerto).
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19DEZ1924-2009 - Edmund Purdom: Actor britânico, intérprete de António e Cleópatra (William Shakespeare) na Broadway (1952), encenador e realizador de Don't Open 'til Christmas (1984); radicado em Itália por 1964, dedicou-se a filmes de acção e sensação, e à dobragem para inglês. IMAG.231-442

1922-19DEZ2004 - Renata Tebaldi: Soprano lírico italiana - «Compará-la comigo, é como comparar um doce com champanhe» (Maria Callas). IMAG.21-203-223-226-332-357-420

21DEZ1804-1881 - Benjamin Disraeli: Escritor e político britânico - «Termos consciência de sermos ignorantes é um grande passo para o conhecimento». IMAG.319

23DEZ1874-1929 - Luís Galhardo: Jornalista, escritor (também sob o pseudónimo de Luis Aquino), tradutor e empresário teatral, fundador do Parque Mayer, através da Sociedade Avenida Parque (1921), tendo idealizado o Teatro Variedades (1926). IMAG.145-374

COMENTÁRiO

Fontaine & Hitchcock
Quando desejo esquecer o Alfred Hitchcock dos tempos da decadência, volto para trás, seis anos antes da sua morte, exactamente à festa de 29 de Abril de 1974, no Avery Fischer Hall do Lincoln Center, onde a New York Film Society lhe dedicou a sua gala anual. Essa sagração foi, realmente, estimulante. Durante três horas de espectáculo, pudemos ver uma centena de excertos dos seus filmes, todos os seus «clímaxes magistrais» agrupados em diferentes categorias: The Screen Cameos (as aparições de Hitchcock nos seus filmes), The Chase (as perseguições), The Bad Guys, os assassinatos, as cenas de amor e, integralmente, duas sequências que me pediram para apresentar: o cymbal crash (o bater de pratos) em O Homem Que Sabia Demais, e o avião de Intriga Internacional atacando Cary Grant. Cada série de fragmentos era precedida de uma breve alocução pelas mais belas actrizes hitchcockianas - Grace Kelly, Joan Fontaine, Teresa Wright, Janet Leigh - e alguns amigos.
O que me surpreendeu naquele fim de tarde - enquanto voltava a ver todos os fragmentos de filmes que eu conhecia de memória, mas, por uma única vez, isolados do seu contexto - foi a sinceridade e o pendor selvático da obra hitchcockiana. É impossível não reparar que todas as cenas de amor foram rodadas como cenas de assassinato, e todas as cenas de assassinato como cenas de amor. Conhecia a obra de Hitchcock, julgava conhecê-la muito bem, mas fiquei terrivelmente impressionado diante do que estava a ver. Na tela, nem tudo eram salpicos de sangue, fogos de artifício, ejaculações, suspiros, lamentos, gritos, gente a esvair-se; antes compreendi que no cinema de Hitchcock, indiscutivelmente mais sexual do que sensual, fazer amor ou morrer significa o mesmo.
François Truffaut
- O Cinema de Alfred Hitchcock

BREVIÁRiO

Texto edita O Mundo de Enid Blyton (1897-1968) de Alice Vieira. IMAG.147-171-204-229

Distrirecords edita em CD, sob chancela Brilliant Classics, Simeon Ten Holt [1923-2012]: Solo Piano Music por Jeroen van Veen.

Quetzal edita A Pedra Ainda Espera Dar Flor - Dispersos 1891-1930 de Raul Brandão (1867-1930); organização de Vasco Rosa.  
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Universal edita em CD, sob chancela Deutsche Grammophon, Franz Peter Schubert (1797-1828) por Maria João Pires. 
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EXTRAORDINÁRiO

OS HUMANIMAIS - Folhetim Aperiódico

CARTA NA MÃO DOBRA O ENGUIÇO - 10

Porém, de si para si, o Picareta estiolava imaculado e demagógico. Faltava-lhe perseverança. Perdida a tramontana, foi reclamar encerro voluntário no Hospital de Rilhafoles.
- Pronto... Já me desiludo entre o deve e o haver. E, para recebermos o que nos pertence, devemos prescindir do que não é nosso! justificou Salomão Emérito filosofal, furtando-se a uma existência confortada.
Continua 

quinta-feira, abril 12, 2018

IMAGINÁRiO #492

José de Matos-Cruz | 24 Novembro 2014 | Edição Kafre | Ano XI – Semanal – Fundado em 2004


PRONTUÁRiO

TRANSCENDÊNCIA
Desde cedo o cinema se converteu em fenómeno de culto, explorado por múltiplas facetas: culto das suas vedetas, dos criadores, das próprias fitas - assim variando ao longo do Século XX, entre o fascínio e a emoção, a nostalgia e o encantamento. Durante sucessivas décadas, por conseguinte, subsistiu uma margem de público instituída - apesar das variantes - entre o estrito fanatismo e os limites volúveis do espectáculo. Pensemos agora noutra situação, punhamos a eventualidade de um culto que não respeita, já, ao espectador mas directamente ao artista visionário, àquele que manipula os materiais do cinema, e se exprime segundo as específicas virtualidades do imaginário. O realizador - fiel à regras duma indústria a que outrora se chamou fábrica de sonhos, mas também dependente dos caprichos do mercado, ou deles vítima eventual. Em tal sortilégio transfigurador, as modas e os modelos foram-se alterando. Este dilema eminente era reconhecido por David Lean (1908-1991), pouco antes de falecer. O mesmo director que, após uma iniciação prestigiosa (Breve Encontro - 1945, Grandes Esperanças - 1946), logrou alguns dos maiores sucessos de sempre (A Ponte do Rio Kway - 1957, Doutor Jivago - 1965, A Filha de Ryan - 1971)… Do esplendor ao crepúsculo das superproduções, concebidas para um deslumbramento ritual, o talento maior de David Lean terá sido reverter um desafio tão insinuante, culminado em Lawrence da Arábia (1962).

MEMÓRiA

1738-24NOV1794 - Cesare Bonesana, Marquês de Beccaria: Jurista, filósofo, economista e literato italiano - «É melhor prevenir os crimes do que puni-los depois».

1948-25NOV1974 - Nicholas Rodney Drake, Nick Drake: Cantor e compositor britânico - «Eu não sinto nenhuma emoção sobre nada. / Eu não quero rir nem chorar. Estou dormente; morto por dentro». IMAG.208

1397-27NOV1474 - Guillaume Dufay: Compositor franco-flamengo da Escola de Borgonha - «Cosmopolita, este homem não foi apenas celebrado na área musical. Doutor em leis canónicas e especialista em questões eclesiásticas, morreu rodeado de prestígio, riquezas e probendas» (A.R.). IMAG.395
1908-27NOV1934 - Lester Joseph Gillis, aliás Baby Face Nelson: Durante a década de ’30, Inimigo Público nº 1 nos EUA - «Não aceito líderes. Tenho a minha própria maneira de assaltar bancos. Entro por ali dentro, mato toda a gente e saco o dinheiro» (sobre John Dillinger). IMAG.423-475

1906-27NOV1994 - Fernando Lopes-Graça: Compositor e maestro português - «Revolução e Liberdade são sinónimos, são equivalentes. São leis imutáveis gravadas na face do Cosmo, eternas e divinas como ele». IMAG.15-48-106-111-140-146-175-261-262-326-332-342

29NOV1874-1955 - António Caetano de Abreu Freire Egas Moniz: - Neurologista, investigador, político, escritor, distinguido com o Prémio Nobel da Medicina (1949), autor de A Vida Sexual (1901) - «Apesar de hoje em dia aquela obra poder ser criticada de vários pontos de vista, para época foi uma ousadia apresentar o tema à Universidade de Coimbra» (José Pacheco). IMAG.62-136-206-356

1858-29NOV1924 - Giacomo Antonio Domenico Michele Secondo Maria Puccini, aliás Giacomo Puccini: «Massenet concebeu a Manon como um francês, com minuetos e pó de arroz. Eu vou tratá-la como um italiano, com paixão desesperada… Por que não duas óperas? Uma mulher como Manon pode ter mais de um amante». IMAG.147-188-207-226-227-00-473

1931-30NOV1994 - Guy Ernest Debord, aliás Guy Debord: Escritor francês, teórico marxista - «O espectáculo é ao mesmo tempo parte da sociedade, a própria sociedade e seu instrumento de unificação. Enquanto parte da sociedade, o espectáculo concentra todo o olhar e toda a consciência. Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido e da falsa consciência; a unificação que realiza não é outra coisa senão a linguagem oficial da separação generalizada… O espectáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediatizada por imagens» (A Sociedade do Espectáculo - 1967). IMAG.352

CALENDÁRiO

1918-05DEZ2013 - Rolihlahal Mandela, aliás Nelson Mandela, aliás Madiba: Activista social, líder político, Presidente da África do Sul (1994-1999), distinguido com o Prémio Nobel da Paz (1993) - «Naquilo em que eu possa ter ajudado a trazer o nosso país até esta nova era, foi porque sou produto das gentes do mundo que acalentaram a visão de uma vida melhor para todos, em toda a parte» (1999). IMAG.361


VISTORiA

Origem das Penas e Direito de Punir
Ninguém fez gratuitamente o sacrifício de uma porção de sua liberdade visando unicamente ao bem público. Tais quimeras só se encontram nos romances. Cada homem só por seus interesses está ligado às diferentes combinações políticas deste globo; e cada qual desejaria, se fosse possível, não estar ligado pelas convenções que obrigam os outros homens. Sendo a multiplicação do género humano, embora lenta e pouco considerável, muito superior aos meios que apresentava a natureza estéril e abandonada, para satisfazer necessidades que se tornavam cada dia mais numerosas e se cruzavam de mil maneiras, os primeiros homens, até então selvagens, viram-se forçados a reunir-se. Formadas algumas sociedades, logo se estabeleceram novas, na necessidade em que se ficou de resistir às primeiras, e assim viveram essas hordas, como tinham feito os indivíduos, num contínuo estado de guerra entre si. As leis foram as condições que reuniram os homens, a princípio independentes e isolados sobre a superfície da terra.
Cansados de só viver no meio de temores e de encontrar inimigos por toda parte, fatigados de uma liberdade que a incerteza de conservá-la tornava inútil, sacrificaram uma parte dela para gozar do resto com mais segurança. A soma de todas essas porções de liberdade, sacrificadas assim ao bem geral, formou a soberania da nação; e aquele que foi encarregado pelas leis do depósito das liberdades e dos cuidados da administração foi proclamado o soberano do povo.
Não bastava, porém, ter formado esse depósito; era necessário protegê-lo contra as usurpações de cada particular, pois tal é a tendência do homem para o despotismo, que ele procura sem cessar, não só retirar da massa comum a sua porção de liberdade, mas ainda usurpar a dos outros.
Eram precisos meios sensíveis e bastante poderosos para comprimir esse espírito despótico, que logo tornou a mergulhar a sociedade no seu antigo caos. Esses meios foram as penas estabelecidas contra os infractores das leis.
Cesare Beccaria
- Dos Delitos e das Penas (1764 - excerto)
COMENTÁRiO

Egas Moniz, 50 Anos da Morte
Eram raros os contributos originais de investigadores portugueses no domínio da Ciência. Na área da Medicina, destacavam-se exemplos incontestáveis, como Garcia de Orta, Amato Lusitano e Ribeiro Sanches. Actualmente há, dentro e fora de Portugal, nomes de referência obrigatória. Todavia, a única figura da primeira metade do século passado que alcançou projecção universal e mereceu, em Outubro de 1949, o Prémio Nobel, foi Egas Moniz.
Faleceu Egas Moniz há 50 anos, que se completam em Dezembro próximo. Que comemorações se encontram previstas para assinalar a efeméride? Que iniciativas serão realizadas nas Universidades de Coimbra e de Lisboa, onde foi catedrático? E na Casa-Museu em Avanca (Estarreja, Aveiro), que guarda o seu espólio (em parte por investigar) e peças de arte que coleccionou ao longo da vida?
A bibliografia de Egas Moniz integra mais de 300 títulos, a maioria dos quais de natureza científica. Destacam-se três temas. Num primeiro plano, para o grande público, ressalta A Vida Sexual. Saiu, em 1901, e teve sucessivas edições. Enquadra-se no âmbito de outras obras do mesmo teor publicadas, ao tempo, na Europa. Outro tema que lhe deu notoriedade foi a angiografia. Egas Moniz e a sua equipa, em 1927, tornaram visível a rede circulatória do cérebro e localizaram tumores cerebrais. Cirurgiões de todo o mundo reconheceram a descoberta. Mas a utilidade da angiografia não se limitou ao estudo do cérebro. Foi aplicada por vários médicos portugueses a outras regiões do corpo. Finalmente, avulta a descoberta que deu lugar à atribuição do Nobel, a leucotomia. Sobre este terceiro tema deixou muitas publicações. Os primeiros resultados comunicados à Academia de Medicina de Paris, em 1936, despertaram interesse nos meios científicos. A prática da leucotomia, pelas alterações que provoca no comportamento, desencadeou uma polémica no seio da Igreja Católica. Respondeu Egas Moniz às acusações defendendo, com firmeza, a contribuição que prestava à medicina, à cirurgia, e, de um modo genérico, a toda a Ciência.
Ainda escreveu sobre literatura e arte. Egas Moniz era uma figura de prestígio, na cátedra e nos encontros internacionais em que participava. Também foi parlamentar no fim da monarquia e ministro e diplomata na I República. Iniciado na maçonaria, pertenceu ao Grande Oriente Lusitano.
A atribuição do Nobel da Medicina pela primeira vez a um cientista português justificava todo o relevo na divulgação. Mas o facto de abrir o noticiário da Emissora Nacional deu origem a um processo disciplinar a Jerónimo Bragança, coordenador da redacção, e ao locutor Pedro Moutinho.
António Valdemar
13JAN2005 - Diário de Notícias

BREVIÁRiO

Sony Pictures edita em Blu-ray, Lawrence da Arábia / Lawrence of Arabia (1962) de David Lean; com Peter O’Toole e Alec Guiness. IMAG.141-320

Assírio & Alvim edita Serão Inquieto de António Patrício; posfácio de David João Neves Antunes. IMAG.172-277-488

Divisa edita em DVD e Blu-ray, Medo e Desejo / Fear and Desire (1953) de Stanley Kubrick (1928-1999); com Paul Mazursky e Frank Silvera.
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EXTRAORDINÁRiO

OS HUMANIMAIS - Folhetim Aperiódico

CARTA NA MÃO DOBRA O ENGUIÇO - 9

Entre altos e baixos, matreirices e decepções, fúrias e euforias, Salomão Emérito havia de ser igual até final. Sem acólitos. Nunca fiando. Sem sucesso. Nada propondo. Sem família. Ninguém contendo. Sem futuro. Tudo poluindo.
Continua

quarta-feira, abril 11, 2018

IMAGINÁRiO #491

José de Matos-Cruz | 16 Novembro 2014 | Edição Kafre | Ano XI – Semanal – Fundado em 2004


PRONTUÁRiO

CREPÚSCULOS
No ano de 2030, o mundo recupera após uma terceira grande guerra. Em Neo-Tóquio, planeia-se a próxima Olimpíada - no local onde, trinta anos antes, caiu a primeira bomba, de tipo ainda desconhecido. Miúdos paranormais, com poderes psíquicos latentes, Tetsuo e Keneda envolvem-se, adversos e paroxísmicos, na disputa entre uma organização científico-militar, comandada pelo misterioso Coronel, e um grupo secreto, disposto a pôr fim às actividades do paradoxal líder. No meio de tremendos conflitos e confrontos, Keneda e Tetsuo chegam ao local onde repousa Akira - aparentemente, outra criança, supernatural gerado pelo governo, o qual se tornou incontrolável. Por fim, a câmara criogénica onde jazia tal ente, com faculdades extremas, estala por dentro, e Akira desperta, ganhando consciência - um potencial e terrível perigo, embora ainda fraco e confuso... Eis Akira de Katsuhiro Otomo - uma saga futurista, crepuscular, concebida e editada entre 1982-1990. Estilizando um olhar empolgante, trágico mas expiatório, este épico monumental alia a perversão tecnológica e a corrupção política, estigmatizadas na actualidade. IMAG.240

CALENDÁRiO

25OUT2013-26JAN2014 - Em Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian expõe, na Galeria de Exposições Temporárias, O Brilho das Cidades - A Rota dos Azulejos, sendo comissários João Castel-Branco e Alfonso Pleguezuelo. IMAG.54-137-150-159-169-222-472-482

1920-22NOV2013 - Clarisse Belo: Actriz portuguesa de teatro, cinema e televisão - «Uma artista estupenda e uma grande amiga» (Ruy de Carvalho).

1926-22NOV2013 - Georges Lautner: Cineasta francês, realizador de Já Experimentou Numa Mala? / La Valise (1973) - «Gosto de ter o público no bolso».

1930-24NOV2013 - Alcino Peixoto de Castro Soutinho, aliás Alcino Soutinho: Pintor e arquitecto português, referencial da Escola do Porto - «Não conseguiu passar indiferente pela vida e jamais se alheou do modo como os outros viviam» (Valdemar Cruz).

28NOV2013 - O Som e a Fúria produziu, e estreia Redemption de Miguel Gomes, com (vozes de) Maren Ade e Donatello Brida; e Terra de Ninguém de Salomé Lamas, com José Paulo de Figueiredo. IMAG.33-211-297-406

28NOV2013-23FEV2014 - Em Lisboa, Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado expõe, com Fundação EDP, Rei Capitão Soldado Ladrão de Jorge Molder, sendo comissário João Pinharanda. IMAG.165-237-252-475

06DEZ2013-02MAR2014 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I expõe Ninho Salino de Cveto Marsič.

1928-07DEZ2013 - Édouard Molinaro: Cineasta francês, realizador de A Gaiola das ‘Malucas’ / La Cage aux Folles (1978) - Um «artesão do cinema» (Telerama), «reconhecido pela precisão do seu trabalho, mas também pela sua grande modéstia» (AFP).

VISTORiA

Soneto

Amor, que o gesto humano na alma escreve,
Vivas faíscas me mostrou um dia,
Donde um puro cristal se derretia
Por entre vivas rosas e alva neve.

A vista, que em si mesma não se atreve,
Por se certificar do que ali via,
Foi convertida em fonte, que fazia
A dor ao sofrimento doce e leve.

Jura Amor que brandura de vontade
Causa o primeiro efeito; o pensamento
Endoudece, se cuida que é verdade.

Olhai como Amor gera, num momento
De lágrimas de honesta piedade,
Lágrimas de imortal contentamento.
Luiz de Camões

MEMÓRiA

1685-18NOV1724 - Bartolomeu Lourenço de Gusmão, aliás Bartolomeu de Gusmão: Sacerdote secular, jesuíta, cientista nascido no Brasil, conhecido por Padre Voador, inventor do primeiro aeróstato operacional, a Passarola - capaz de «andar pelo ar da mesma sorte que pela terra e pelo mar», tanto para as comunicações, como para a guerra e o comércio. IMAG.61-123

21NOV1694-1778 - François-Marie Arouet, aliás Voltaire: Escritor francês, filósofo iluminista, autor de Tratado Sobre a Tolerância - «Há muito poucas repúblicas no mundo e, mesmo assim, elas devem a liberdade aos seus rochedos ou ao mar que as defende. Os homens só raramente são dignos de se governarem a si mesmos». IMAG.28-180-270-295-388

03JAN1904-22NOV1934 - Charles Arthur Floyd, alias Pretty Boy Floyd: Durante a década de ’30, Inimigo Público nº 1 nos EUA - «Alguns roubam com uma metralhadora, / outros com uma caneta de tinta» (Woody Guthrie - The Ballad of Pretty Boy Floyd, 1939). 
 
TRAJECTÓRiA

BARTOLOMEU DE GUSMÃO - O PADRE VOADOR
Bartolomeu Lourenço de Gusmão nasceu em Vila de Santos, São Paulo (Brasil), em Dezembro de 1685. Feitos os estudos primários na terra natal, prosseguiu os secundários no Seminário de Belém, Bahia, tendo-se filiado na Companhia de Jesus. Aos vinte anos, concebeu um aparelho que fazia subir a água dum ribeiro à altura de cem metros. Em 1708, viajou para a Metrópole e, na Universidade de Coimbra, estudou Física, Matemática, Astronomia, Mecânica, Química e Filologia, além de Diplomacia, Criptografia e Direito Canónico, completando o Curso de Doutoramento em 1720. Entretanto, ao observar uma bola de sabão pairando, por influência da chama de uma vela, imaginou um aparelho mais leve do que o ar. Em 1709, e na sequência duma petição de privilégio para a sua máquina de voar, foi-lhe concedido alvará (sob pena de morte para os que interferissem ou lhe roubassem as ideias) no Palácio da Coroa, fazendo elevar - perante D. João V e o Núncio Apostólico, Cardeal Conti (depois Papa Inocêncio XIII) - um pequeno balão de papel pardo à altura de quatro metros, com o fogo duma tigela de barro incrustada na base.
Mais tarde, um grande curostático - que ele próprio, porventura, pilotou - foi lançado do Castelo de São Jorge, havendo percorrido um quilómetro. Chamou-se Passarola, por ter a forma de pássaro. Prestigiado orador, as suas pregações - como Sermão da Virgem Maria - foram editadas, tal como outros trabalhos literários e científicos, por Afonso d’Escragnolle Taunay. Após intrigas políticas e religiosas, por inimigos e fanáticos, escapou para Espanha. Em visita diplomática a Roma, por 1711, regressou a Portugal como Secretário dos Estrangeiros. Em 1722, é feito Fidalgo-Capelão da Casa Real. Porém, alvo de suspeitas pelo Santo Ofício, por obra de feitiçaria com a Máquina Volante do Método de Produzir Gás ou Vapor com que esta se enche, voltou a refugiar-se em Espanha, tendo falecido no Hospital da Misericórdia em Toledo, sob nome falso e indigente, a 18 de Novembro de 1724. 
 
ANUÁRiO

1524(5)-1580 - Luiz Vaz de Camões, aliás Luiz de Camões: Ficcionista e poeta português - «Enquanto quis Fortuna que tivesse / Esperança de algum contentamento, / O gosto de um suave pensamento / Me fez que seus efeitos escrevesse.» IMAG.20-31-38-64-66-76-103-125-164-175-187-231-242-244-252-263-278-279-295-307-348-355-359-468-479-481

1864-1957 - Francisco da Silva Rocha: Arquitecto, criador plástico e pedagogo, professor da Escola de Desenho Industrial de Aveiro, autor primordial da Arte Nova. IMAG.240

1865-1874 - Neste decénio, morrem em Lisboa 57.655 pessoas; só em 1874, o número de óbitos na capital é de 4.856.

COROLÁRiO

Eu, o que escreve, declaro que, havendo sofrido um vómito de sangue há quatro dias, na idade de oitenta e quatro anos, e não havendo podido ir à igreja, o pároco de São Suplício quis de bom grado enviar-me M. Gautier, sacerdote. Eu confessei-me a ele, se Deus me perdoar, morro na santa religião católica em que nasci, esperando a misericórdia divina que se dignará a perdoar todas minhas faltas, e, se tenho escandalizado a Igreja, peço perdão a Deus e a ela.
Assinado: Voltaire, 2 de Março de 1778, na casa do Marquês de Villete, na presença do senhor abade Mignot, meu sobrinho e do senhor Marquês de Villevielle, meu amigo.
ABR1778 - Correspondence Litteraire
BREVIÁRiO

Universal edita em CD, sob chancela Decca, Georg Solti [1912-1997]: The Legacy - 1937-1997.

Ática edita Fernando Pessoa [1888-1935] O Poeta e os Seus Fantasmas de Carlos Queiroz (1907-1949).
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EXTRAORDINÁRiO

OS HUMANIMAIS - Folhetim Aperiódico

CARTA NA MÃO DOBRA O ENGUIÇO - 8

Quanto a Simplicio Thiago, que não tinha mesmo nenhum jeito para dar uso ao seu bastão, voltou para as berças nas Beiras, como era natural. Comprometidos, Clotilde Mercez e Mathias Embirra acabaram por celebrar o nó conjugal, lá para o Largo do Andaluz. Foi ao dar-se conta deste evento que o Picareta, enciumado, bateu com a gazua na sua manápula. E há coisas do diabo. Ofensivo, com despudor, recorreu ao próprio Embirra este, sim, desprovido de rancores para um primeiro curativo.
Continua