PRONTUÁRiO
MARLENE
«Uma
legião de admiradores, sobretudo os mais fanáticos, consideram-na a
sublimação da beleza, ou um símbolo sexual por excelência. Em
minha opinião - e falo apenas como profissional, olhando-a através
da câmara - ela é a própria sedução.» Atribuídas a Lee Garmes,
tais palavras mantêm todo o fascínio e toda a sugestão que
consagraram Marlene Dietrich, como diva do cinema e mito de
Hollywood. Famoso pelo brilhantismo cénico, capaz de irradiar a sua
beleza perversa, em cenas tensas na penumbra, Garmes incutia, aliás,
uma indubitável competência técnica e estilística no seu firme
comentário. De facto, ele fotografou a extraordinária vedeta, com
notória rendição, designadamente em Marrocos
(1930) e O
Expresso de Xangai
(1932) - obras maiores da formidável carreira americana de Marlene,
nascida Marie Magdelene Dietrich Von Losch em Berlin-Schöneberg, em
1901, e falecida em Paris, em 1992. IMAG.254-352-369-375
CALENDÁRiO
1920-MAI2013
- Júlio Roberto: Filósofo português, poeta e ecologista, fundador
/ editor do ITAU - «Transformámos tudo, progredimos, inventámos,
criámos coisas que tu nem imaginas. Olha, substituímos o vento e o
sol por uma coisa que se chama energia nuclear.» (Poema
Ecológico - excerto).
1916-22MAI2013
- Henri Dutilleux: Compositor francês - «Um dos raros cuja música
integrou o repertório habitual dos programas em salas de concerto
ainda em vida» (Laurent Petitgirard). IMAG.349-421
03MAI1934-23MAI2013-
Giuseppe Mustacchi, aliás Georges Moustaki: Compositor e cantor
francês, nascido no Egipto - «Possuía uma doçura infinita e um
enorme talento. Era como todos os poetas, alguém diferente, porque
acaba por ser sempre essa diferença que conduz ao talento»
(Juliette Gréco).
27MAI2013
- O escritor moçambicano Mia Couto é distinguido com o Prémio
Camões, pela «sua inovação estilística e pela profunda
humanidade com que tem sabido inovar e enriquecer a língua
portuguesa» (José Carlos Vasconcelos). IMAG.54-147
30MAI2013
- Leopardo Filmes estreia Fragmentos
de Uma Organização Participativa de
Filipa Reis e João Miller Guerra. IMAG.430
MEMÓRiA
MAI1924-2009
- Irisalva Moita: Arqueóloga portuguesa, historiadora, museóloga,
olissipógrafa, membro da Academia Nacional de Belas Artes, pioneira
de escavações em contexto urbano, realizadas no Teatro Romano de
Lisboa, Hospital Real de Todos-os-Santos ou Necrópole Romana na
Praça da Figueira. IMAG.256
10MAI1884-1941
- Raul Proença: Escritor e jornalista português - «Queremos fazer
a revolução que pregamos à luz do dia, por processos enérgicos,
mas pacíficos, em que toda a consciência nacional colabore, e não
admitimos nela os criminais-natos que buscam nos movimentos
revolucionários uma derivante aos seus instintos antisociais e a
satisfação das suas perversas tendências destruidoras... Acusamos
os potentados da finança, os últimos dos pervertidos morais
(exploradores, especuladores, açambarcadores, falsificadores,
inimigos do Povo, criminosos sacrílegos) que vivem de sugar todo o
sangue da nação pelas ventosas da sua ambição desmedida.
Acusamo-nos a nós próprios por só agora termos tido este grito,
por só agora jogarmos a bem da nação o nosso próprio destino»
(1921). IMAG.323-342-393
1943-10MAI1984
- Joaquim Agostinho: Ciclista português - «Se tivesse nascido em
França, tinha ganho mais que um Tour.
Era um diamante em bruto. Não teve oportunidades de ter escola. O
que aprendeu foi na estrada e sofreu várias quedas por falhas
técnicas» (Alves Barbosa). IMAG.413
11MAI1904-1989
- Salvador Dali: Pintor espanhol, nascido na Catalunha - «Não pinto
retratos que se pareçam com os modelos, antes na perspectiva de que
tais pessoas venham a parecer-se com os seus retratos». IMAG.
6-38-70-234-288-463
INVENTÁRiO
MARLENE
DIETRICH - O PECADO E A SEDUÇÃO
Com
o toque ambíguo de Frank Borzage, o elã sensual de Marlene Dietrich
inebria em Desejo
(1936). Aos 35 anos, já a actriz germânica cintilava, então, nos
dois lados do Atlântico, com uma insinuante maturidade. Filha de um
oficial que combateu na Guerra Franco-Prussiana, nascera Marie
Magdelene Dietrich Von Losch em Dezembro de 1901, tendo revelado
precoces talentos musicais e dramáticos.
Depois
de estudar com o lendário Max Reinhardt, a estreia fílmica de
Marlene Dietrich decorreu em 1922, mas só Josef Von Sternberg lhe
inflamaria o sortilégio artístico, como O
Anjo Azul (1930). Rumo à
eternidade, Hollywood foi um destino incontornável para ambos.
Entretanto, Marlene casara com Rudolf Sieber em 1924 - um vínculo
conservado até à sua morte, em 1976, apesar de várias separações.
Algumas
roturas
caprichosas foram motivadas por romances com colegas. Em Marrocos,
ela expõe-se entre Gary Cooper e Adolphe Menjou, numa aventura da
Legião Estrangeira ambientada por um exótico Norte de África. A
Fatalidade
(1931 - Von Sternberg) adensou-se durante a I Guerra Mundial, com
Marlene na pele duma audaciosa espia, inspirada em Mata-Hari, até à
perdição nos braços de Victor McLaglen.
Cary
Grant foi o astro escolhido para emparceirar com Marlene, no papel de
A Vénus Loira
(1932 - Von Sternberg) - dividida entre a salvação do marido
enfermo, e a utopia de um resgate como antiga cantora de cabaré.
Esta perturbadora tragédia familiar contrasta-se com um regresso à
paisagem romântica e trepidante, que O
Expresso de Xangai atravessa,
desta vez com Clive Brook como amante em perigo de vida.
Em
seguida, Von Sternberg reconstituiu a Rússia faustosa e turbulenta
de Catarina, A Imperatriz
Vermelha (1934) - que se
debate entre os compromissos políticos e conjugais, até enfrentar o
sacrifício individual sob um desígnio colectivo. Porém, Marlene
trocará John Lodge pelo Desejo
dum reencontro com Cooper; em causa, os dilemas de uma aristocrata
europeia, que se envolve no furto de jóias...
Dirigida
por Borzage, Marlene explora outras facetas de um talento cínico mas
irresistível, que Von Sternberg nela virtualizara, ao personificar a
mulher em conflito - pelas margens do pecado ou da sobrevivência,
entre o resgate e a expiação. Aceitando-se como um ícone sexual,
Marlene achava a profissão de actriz aborrecida, repetitiva, embora
fosse a mais bem paga nos seus longos tempos de glória.
Pela
auréola de escândalo, Marlene comprazia-se em chocar a conservadora
moral ianque, declarando: «Na Alemanha, fazemos amor com quem
achamos atraente - não interessa se é homem ou mulher». Segundo a
sua única filha, Maria Riva, «a minha mãe está convencida de que
inventou a paixão - e a verdade é que toda a gente acredita nela».
Marlene Dietrich faleceu em Paris, cidadã americana, em Maio de
1992.
BREVIÁRiO
Eureka
edita em Blu-ray, O Anjo Azul
/ Der Blaue Engel (1930) de
Josef Von Sternberg; com Marlene Dietrich e Emil
Jannings.IMAG.254-281-375
Deutsche
Grammophon edita em CD, Henri Dutilleux
[1916-2013]:
Correspondences por Orchestre
Philharmonique de Radio France, sob a direcção de Esa-Pekka
Salonen. IMAG.349-421
Imprensa
Nacional - Casa da Moeda edita Do
Terreiro do Paço à Praça do Comércio - História de Espaço
Urbano; coordenação de
Miguel Figueira de Faria.
PARLATÓRiO

Raul
Proença

Georges
Moustaki
EXTRAORDINÁRiO
OS
SOBRENATURAIS - Folhetim Aperiódico
COMO
GUARDAR O CORAÇÃO NA CAIXINHA DAS ESMOLAS -
11
Para
o Carlos “Zíngaro”
Até
que um vulto reapareceu na ombreira antes transposta por Cândido.
Durante alguns instantes, ficou a ganhar forma perceptível ao
espanto de Benedita. Seria uma mistura híbrida, entre a decadência
agastada do marido e a vivacidade do estrangeiro hóspede. Incrédula,
desgraçada, Benedita sentiu desentranhar-se, fora de si, aquele
logro maternal em que, para sempre, resplandecia o anelo profanado
por Aquiles Roubeta.
- Demónio,
o que me queres, e em que me tentas?!
gritou ela, a estrebuchar numa agonia que a precipitava ao pior dos
pesadelos.
Então,
beijou-a uma língua de lume, com ardor corpóreo e tropical.
– Continua